
12/12/07
Lançameto do Livro

06/09/07
«Ainda ontem pensava que não era
mais do que um fragmento trémulo sem ritmo
na esfera da vida.
Hoje sei que sou eu a esfera,
e a vida inteira em fragmentos rítmicos move-se em mim.
Eles dizem-me no seu despertar:
" Tu e o mundo em que vives não passais de um grão de areia
sobre a margem infinita
de um mar infinito."
E no meu sonho eu respondo-lhes:
"Eu sou o mar infinito,
e todos os mundos não passam de grãos de areia
sobre a minha margem."
Só uma vez fiquei mudo.
Foi quando um homem me perguntou:
"Quem és tu?" »
Kahlil Gibran
15/08/07
02/08/07
O que pretendemos da Cultura?
Ao saber da demissão da Directora do Museu Nacional de Arte Antiga, Dalila Rodrigues, chego à conclusão de quem tem ideias e apresenta resultados acima dos esperados é um fardo para os actuais dirigentes políticos.
É sabido que a ex-directora do referido Museu opõe-se fortemente ao actual modelo de gestão de museus, pedindo uma maior autonomia financeira e administrativa, e não terá razão?
Aos amigos
" Amo devagar os amigos que são tristes com cinco dedos de cada lado.
Os amigos que enlouquecem e estão sentados, fechando os olhos,
com livros atrás a arder para toda a eternidade.
Não os chamo, e eles voltam-se profundamentedentro do fogo.
- Temos um talento doloroso e obscuro.
Construímos um lugar de silêncio.
De paixão."
Herberto Helder (Poemacto - 1961)
16/07/07
11/07/07
Zazen
16/06/07
Sophia
"Rosto nu na luz directa.
Rosto suspenso, despido e permeável,
Osmose lenta.
Boca entreaberta como se bebesse,
Cabeça atenta.
Rosto desfeito,
Rosto sem recusa onde nada se defende,
Rosto que se dá na angústia do pedido,
Rosto que as vozes atravessam.
Rosto derivando lentamente,
Pressentimento que os laranjais segredam,
Rosto abandonado e transparente
Que as negras noites de amor em si recebem.
Longos raios de frio correm sobre o mar
Em silêncio ergueram-se as paisagens
E eu toco a solidão como uma pedra.
Rosto perdido Que amargos ventos de secura em si sepultam
E que as ondas do mar puríssimas lamentam."
Se tanto me dói que as coisas passem
"Se tanto me dói que as coisas passem
É porque cada instante em mim foi vivo
Na busca de um bem definitivo
Em que as coisas de Amor se eternizassem"
Pudesse Eu
"Pudesse eu não ter laços nem limites
Ó vida de mil faces transbordantes
Para poder responder aos teus convites
Suspensos na surpresa dos instantes!"
Poemas de Sophia de Mello Breyner Andresen
28/05/07

Ces rencontres avec eux
"Real. Jean-Marie Straub e Danièle Huillet (França, 2006)
Estreado no final de 2006, um pouco antes da morte de Danièle Huillet, este filme é a sequela de Dalla nube alla resistenza (1979). À semelhança deste filme, "Ces rencontres avec eux" é baseado na obra de Cesare Pavese Dialoghi con Leucò."
Cesare Pavese, «Le Muse», Dialoghi con Leucò (1947)
MNEMÒSINE Non ti sei chiesto perché un attimo, simile a tanti del passato, debba farti d'un tratto felice, felice come un dio? Tu guardavi l'ulivo, l'ulivo sul viottolo che hai percorso ogni giorno per anni, e viene il giorno che il fastidio ti lascia, e tu carezzi il vecchio tronco con lo sguardo, quasi fosse un amico ritrovato e ti dicesse proprio la sola parola che il tuo cuore attendeva. Altre volte è l'occhiata di un passante qualunque. Altre volte la pioggia che insiste da giorni. O lo strido strepitoso di un uccello. O una nube che diresti di aver già veduto. Per un attimo il tempo si ferma, e la cosa banale te la senti nel cuore come se il prima e il dopo non esistessero piú. Non ti sei chiesto il suo perché?
MNEMÓSINE Não te perguntasteporque é que um instante,semelhante a tantos outros no passado, deve de repente fazer-te feliz, feliz como um deus? Tu fitavas a oliveira, a oliveira na vereda que percorreste todos os dias durante anos, até que chega o dia em que o mal-estar te deixa, e tu acaricias o velho tronco com o olhar, como se fosse quase o amigo reencontrado e te dissesse justamente a única palavra que teu coração esperava. Outras vezes é o olhar de um passante qualquer. Outras vezes a chuva que insiste há dias. Ou o chio estridente de um pássaro. Ou uma nuvem que dirias já ter visto. Por um instante pára o tempo, e aquela coisa banal tu sente-la no coração como se o antes e o depois já não existissem. Não perguntaste o porquê disto tudo?
16/05/07
13/05/07
Constituintes do Imaginário Português


philip glass - 01 ...The Poet Acts de Philip Glass |
O bailado de Olga Roriz sobre o imaginário da paixão de Pedro e Inês, frequentemente comparado com Romeu e Julieta de Shakespeare - com a diferença de que é uma história real - decorreu nos dias 11,12 e 13 deste mês no Teatro Camões ao qual tive o enorme prazer de apreciar.
Através de uma visão contemporânea levamos para o mundo onírico de Pedro, onde este recria de uma forma fragmentada - tal como num sonho - a sua ideia de Inês, como se estivesse viva, sendo apenas um corpo inamimado, onde a dor real se mistura com a negação do ultimo adeus.
26/04/07
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(c) Mourão 2007
Poema do silêncio de José Régio
"Sim, foi por mim que gritei.
Declamei,
Atirei frases em volta.
Cego de angústia e de revolta.
Foi em meu nome que fiz,
A carvão, a sangue, a giz,
Sátiras e epigramas nas paredes
Que não vi serem necessárias e vós vedes.
Foi quando compreendi
Que nada me dariam do infinito que pedi,
-Que ergui mais alto o meu grito
E pedi mais infinito!
Eu, o meu eu rico de baixas e grandezas,
Eis a razão das épi trági-cómicas empresas
Que, sem rumo,
Levantei com sarcasmo, sonho, fumo...
O que buscava
Era, como qualquer, ter o que desejava.
Febres de Mais. ânsias de Altura e Abismo,
Tinham raízes banalíssimas de egoísmo.
Que só por me ser vedado
Sair deste meu ser formal e condenado,
Erigi contra os céus o meu imenso Engano
De tentar o ultra-humano, eu que sou tão humano!
Senhor meu Deus em que não creio!
Nu a teus pés, abro o meu seio
Procurei fugir de mim,
Mas sei que sou meu exclusivo fim.
Sofro, assim, pelo que sou,
Sofro por este chão que aos pés se me pegou,
Sofro por não poder fugir.
Sofro por ter prazer em me acusar e me exibir!
Senhor meu Deus em que não creio, porque és minha criação!
(Deus, para mim, sou eu chegado à perfeição...)
Senhor dá-me o poder de estar calado,
Quieto, maniatado, iluminado.
Se os gestos e as palavras que sonhei,
Nunca os usei nem usarei,
Se nada do que levo a efeito vale,
Que eu me não mova! que eu não fale!
Ah! também sei que, trabalhando só por mim,
Era por um de nós. E assim,
Neste meu vão assalto a nem sei que felicidade,
Lutava um homem pela humanidade.
Mas o meu sonho megalómano é maior
Do que a própria imensa dor
De compreender como é egoísta
A minha máxima conquista...
Senhor! que nunca mais meus versos ávidos e impuros
Me rasguem! e meus lábios cerrarão como dois muros,
E o meu Silêncio, como incenso, atingir-te-á,
E sobre mim de novo descerá...
Sim, descerá da tua mão compadecida,
Meu Deus em que não creio! e porá fim à minha vida.
E uma terra sem flor e uma pedra sem nome
Saciarão a minha fome."
05/04/07
02/04/07
Rothko pelas suas palavras e ausência delas

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...........Rothko no seu estudio. ..............................Untitled (three nudes), c. 1926, 1935
Rothko deixou um testemunho que vem – apesar de ter sido escrito antes da sua fase mais conhecida – dar-nos muitas pistas a algumas questões que se impõem quando observamos as suas obras.
Rothko, Mark, “A realidade do Artista – filosofias da Arte”, Edições Cotovia.


...........Untitled, 1953 ..................................................Untitled, 1954


......... . Untitled, 1969 ............................................ .Untitled, 1969
É através das cores, e unicamente, que transmite as emoções, tal como Cézanne afirmava, que as nossas sensações são coloridas, Rothko materializa até a exaustão esse saber, tornando-o numa arte pura que se insinua na vida do espírito.
Não se trata apenas de uma apreensão meramente gestáltica das cores, mas entes, senti-las, pensa-las e sonhá-las através do movimento da cor. Todos os nossos movimentos geram-se e movem-se através dela, as coisas não são “preto-e-branco”, existe uma camada imensa de colorações no nosso espírito, todo o pensamento nasce e desdobra-se na cor, deste modo o espectador não necessita de grandes conhecimentos eruditos para experenciar o que observa, basta-lhe ir ao fundo do seu ser, das suas experiências para permanecer no espaço pictural em toda a sua plenitude, tornando-se parte desse movimento.
20/03/07
Enigma..Segredo..Mistério..Finalidade
"" Mistério é aquilo que os homens não conseguem explicar: explicar as coisas na totalidade e mostrar porque e para que nascem, como se desenvolvem e como e porque acabam e o que resta depois delas. Sendo assim, é evidente que nada se pode explicar, a não ser fragmentariamente, e que tudo está rodeado de mistério, embora esta palavra se use cada vez menos. Por detrás de toda a origem há uma outra origem que falta conhecer. Depois do fim, mais outro fim. Além disso, há o problema da finalidade para que as coisas foram feitas, e só pode haver finalidade quando há intenção, e só existe intenção quando há subjectividade. O homem, que se define a si próprio como animal racional, constrói a casa para nela se abrigar. Ele tem consciência disso e essa consciência tornou-se uma propriedade da espécie. ""
Saraiva, António José, O que é a Cultura - Torre de Babel, Gradiva Publicações, Abril de 2003, pág.20.
14/03/07
" Viver!... Beber o vento e o sol!... Erguer
Ao Céu os corações a palpitar!
Deus fez os nossos braços pra prender,
E a boca fez-se sangue pra beijar!
A chama, sempre rubra, ao alto, a arder!...
Asas sempre perdidas a pairar,
Mais alto para as estrelas desprender!...
A glória!... A fama!... O orgulho de criar!...
Da vida tenho o mel e tenho os travos
No lago dos meus olhos de violetas,
Nos meus beijos extáticos, pagãos!...
Trago na boca o coração dos cravos!
Boémios, vagabundos, e poetas:
--- Como eu sou vossa Irmã, ó meus Irmãos!..."
Exaltação de Florbela Espanca
06/03/07
Pensar antes de Agir
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(c) Serpa, Fev2007
“ Sempre que sejas tocado pela impressão externa de um qualquer prazer, e do mesmo modo face às impressões em geral, acautela-te para que não sejas arrastado por ela. Deixa antes que esse assunto espere por ti e concede a ti próprio, dessa forma, algum tempo. Em seguida tem presente ambos os momentos: primeiro, aquele em que te aproveita o prazer e depois, o outro em que, terminada a fruição, mudarás de opinião, e que te há-de causar transtorno. Contrapõe então a esses dois momentos o quanto serás feliz e como hás-de alegrar-te se te contiveres. Contudo, se te parecer ter chegado o momento propício para cometer um acto, acautela-te para que te não vençam a sua conveniência, a sua doçura ou o seu poder de sedução. Pensa antes quão melhor é a certeza de ter obtido, sobre tudo isso, a vitória.”
Epicteto, A Arte de Viver, Edições Sílabo, colecção Sophia, Lisboa 2007, pag.58, cap.34.
02/03/07
Momento de descontracção..
27/02/07
Entre uma sevilhana e outra, surge...
(Ouvir a canção)
Chuva
"As coisas vulgares que há na vida
Não deixam saudades
Só as lembranças que doem
Ou fazem sorrir
Há gente que fica na história
da história da gente
e outras de quem nem o nome
lembramos ouvir
São emoções que dão vida
à saudade que trago
Aquelas que tive contigo
e acabei por perder
Há dias que marcam a alma
e a vida da gente
e aquele em que tu me deixaste
não posso esquecer
A chuva molhava-me o rosto
Gelado e cansado
As ruas que a cidade tinha
Já eu percorrera
Ai... meu choro de moça perdida
gritava à cidade
que o fogo do amor sob chuva
há instantes morrera
A chuva ouviu e calou
meu segredo à cidade
E eis que ela bate no vidro
Trazendo a saudade"
Cantado por Mariza..
20/02/07
17/02/07
Pigmentações

Sónia Delaunay
"Quem posso eu chamar, que palavras lúcidas
e sóbrias, veementes
poderão despertar as ondas felizes,
que outro apelo, que outro alento
aproximará as árvores, o hálito das suas frases?
Quem me oferecerá no seu corpo o estuário das mãos,
que prodígios da terra deslizarão no repouso,
que declives, que jardins, que palácios diminutos,
que intangíveis enlaces, que adoráveis volumes?
Quem me dará o sossego da fábula mais pura
com o exacto relevo imediata e vagarosa?
Real e perfeita num deslizar de gozo, em lábios que
emudecem deslumbrados,
real e completo, secreto, imediato, maravilhoso
é o instante que descobre o animal ardente,
a mais ardente exactidão
a mais oferecida à claridade,
a mais contínua, a mais profunda suavidade.
Estamos dentro de um seio onde nascemos
como de uma montanha latente, somos nascente confusão
de múrmurios silvestres e a magia natural
de um silêncio límpido,, abraçamos a maravilha
aqui e agora, reconcentração na felicidade,
na evidência de delícias, múltiplas, fatais."
O instante, António Ramos Rosa
Obrigada Gi.
16/02/07
15/02/07
Relativismo...
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as que deixam cicatrizes na memória dos homens,
por que motivo serão belas?
E belas, para quê?
14/02/07
09/02/07
Void

O Refugiado, 1939 de Félix Nussbaum
“ (…)pintor judaico Felix Nussbaum, considerado como um expoente máximo do
Expressionismo alemão, sendo vitima do nazismo, acabando por falecer nos campos
de concentração.
Felix Nussbaum nasceu em Osnabrück em 1904, filho de uma
família da classe media judaica, estudou pintura na década de vinte, tornando-se
bastante conhecido através de diversas exposições, mas com o surgimento da
Nacional Socialista, com o a fomentação anti-semita e com o ideal da raça alemã,
as suas obras forma brutalmente perseguidas tal como ele, a partir de 1933 foge
para várias zonas da Europa, acabando em Bruxelas, de onde é logo deportado para
Auschwitz, onde continua a pintar, morre em 1944.”
In Materialização da Ideia, Esboço de um Método com o traço de Mondrian, Março de 2007, pág 35.

No Campo, 1940 de Félix Nussbaum
Museu Félix Nussbaum
04/02/07
Corpo, lugar, vazio, outro, lugar, vazio, corpo...
"Primeiro o Corpo. Não. Primeiro o lugar. Não. Primeiro ambos. Ora um deles. Ora o outro. Até fartar de um deles e tentar o outro. Até fartar também deste e fartar outra vez de um deles. Assim em diante. Dalgum modo em diante. Até fartar de ambos. Vomitar e partir. Para onde nem um nem outro. Até fartar desse lugar. Vomitar e voltar. Outra vez o corpo. Onde nenhum. Outra vez o lugar. Onde nenhum. Tentar outra vez. Falhar outra vez. Melhor outra vez. Ou melhor pior. Falhar pior outra vez. Ainda pior outra vez. Até fartar de vez. Vomitar de vez. Partir de vez. Onde nem um nem outro de vez. De vez e tudo.
Luz obscura origem desconhecida. Sabe-se o mínimo. Não não se saber nada. Seria esperar demais. Quanto muito o mínimo dos mínimos. Maximanmente menos que o mínimo dos mínimos.
Um outro. Dizer um outro. Cabeça afundada em mãos paralisadas. Vértce vertical.Olhos cerrados. Sede de tudo. Embrionária de tudo
Isto não tem fuuro. Infelizmente tem."
Beckett, Samuel, Últimos trabalhos de Samuel Beckett, Pioravante marche ( Worstward ho), Assírio & Alvim, 1996.
31/01/07
Hesitação
Monsanto 2006, (c) Maribel Sobreira
"Não sei se respondo ou se pergunto.
Sou uma voz que nasceu na penumbra do vazio.
Estou um pouco ébria e estou crescendo numa pedra.
Não tenho a sabedoria do mel ou a do vinho.
De súbito ergo-me como uma torre de sombra fulgurante.
A minha ebriedade é a da sede e a da chama.
Com esta pequena centelha quero incendiar o silêncio.
O que eu amo não sei. Amo em total abandono.
Sinto a minha boca dentro das árvores e de uma oculta nascente.
Indecisa e ardente, algo ainda não é flor em mim.
Não estou perdida, estou entre o vento e o olvido.
Quero conhecer a minha nudez e ser o azul da presença.
Não sou a destruição cega nem a esperança impossível.
Sou alguém que espera ser aberto por uma palavra."
Uma voz na pedra de António Ramos Rosa
29/01/07
MNAA
Visitas guiadas a 10 obras de referência do MNAA: última 4ª feira de cada mês, às 18H.
A entrada ao museu será gratuita e far-se-á pela porta principal, junto ao Jardim 9 de Abril.

Paula Rego na Galeria 111 e na Galeria de S. Bento
Galeria 111
até 3 de Março

Galeria de S.Bento
Dezassete obras de Paula Rêgo estão em exposição na Galeria de S. Bento, em Lisboa. As litografias da artista estão à venda e podem ser vistas até 20 de Fevereiro.
"As 17 litografias em exposição na Galeria de S. Bento são o retrato de uma heroína que luta pela emancipação: chama-se Jane Eyre e dá nome ao mais famoso livro de Charlotte Brontë. Paula Rêgo pegou na obra do século XIX e desenhou-a num traço que às vezes pede respeito, outras demonstra raiva, revolta ou violência. A história de Jane Eyre é contada em 25 litografias mas em S. Bento estão apenas 17."
25/01/07
Μια αιωνιότητα και μια μέρα
Mia Aioniotita Kai Mia Mera -- A Eternidade e um Dia, filme de Theo Angelopoulos clicar aqui para ver o clip
Um mergulho íntimo pela memória de um escritor que, ao sentir aproximar-se a morte, faz uma espécie de balanço da sua vida.
Ao lidar com a memória, Angelopoulos desconstrói a unidade do tempo do passado e presente, real e imaginário. Em certas momentos o tempo fundem-se na mesma sequência, celebrando a importância da palavra, da criação artística, da dor do exílio e da solidão do silêncio.
23/01/07
16/01/07
Assim como...o Homem Teatro
Homem Teatro, escultura de Soares Branco, 1963
""Assim como falham as palavras quando querem exprimir qualquer pensamento,
Assim falham os pensamentos quando querem exprimir qualquer realidade,
Mas, como a realidade pensada não é a dita mas a pensada.
Assim a mesma dita realidade existe, não o ser pensada.
Assim tudo o que existe, simplesmente existe.
O resto é uma espécie de sono que temos, infância da doença.
Uma velhice que nos acompanha desde a infância da doença.""
Assim Como, Alberto Caeiro
15/01/07
12/01/07
11/01/07
A Obra de Arte...
Paula Rego
“Ei-la então: uma Vanitas que cumpre a sua função de nos lembrar que a todos, inebriados, festivos, lúdicos, teatrais, violentos, patéticos seres humanos, nos espera um encontro irremediável com a morte. A matriz onírica do encontro que se dá no texto de Almeida Faria ou na representação de Paula Rego é talvez apenas uma forma de eufemismo na encenação da crueldade desta evidência.” CAMJAP
Inaugura hoje pelas 22h no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian a exposição VANITAS de Paula Rego, em simultâneo com o lançamento do livro VANITAS, 51, AVENUE D’IÉNA de Almeida Farias, conto que inspirou a obra.
08/01/07
07/01/07
Requiem com imagens simples
«Hoje, prefiro cantar as coisas simples, as que
crescem depressa, como os ciprestes, ou as
que se enrolam a tudo o que aparece nos muros,
como as buganvílias. Através delas, vejo o céu
que me traz outras coisas, mais complicadas
dos que estas da terra; e também no céu
escolho, hoje, o que não é difícil».
Nuno Júdice,Requiem com imagens simples